Archive for março, 2010

O Exército de Brancaleone do J Blota (CNT)

Prezado Amigo.

 

        Sempre penso que você está como o Exército de Brancaleone, inspirado em Dom Quixote de Miguel de Cervantes, clássico italiano.

        Recentemente você viu na mídia (o Leão Lobo também viu) dois ídolos do futebol brasileiro (Wagner Love e Adriano) na Favela juntamente com traficantes muito bem armados.

        Esta situação, como disse um deles é comum, em todas as Favelas do Rio de Janeiro. Só que inspira a juventude brasileira a seguir estes caminhos para ficarem famosos e viris.

        Como, estes marginais, conseguiram comprar aqueles fuzis que custam de US$ 30 a US$ 40 mil dólares? Com o dinheiro dos viciados.

        Apesar desta claríssima e transparente movimentação financeira, a mesma mídia que se enriquece exibindo estas desgraças, nada diz à respeito destes pobres viciados.

        Não canso de repetir: “sem viciado não há traficante”. É preciso uma legislação inteligente que ponha freio nesta corrida para as drogas e que sepulte a maldita lei 11343 de 2006 que, na verdade é um incentivo ao consumo de drogas.

        Não podemos ocultar debaixo de um neologismo por eles criado o de se autodenominar “doentes”. Vi e vejo centenas de adolescentes encaminhando-se para este destino. Toda vez que a mídia enaltece, noticia, exibe o poder dos traficantes, milhares de jovens, sem ídolos saudáveis, os admira e buscam se igualar na utilização das drogas.

        Outra maldade que a mídia insiste é chamar favela de comunidade. Nos dicionários lemos:

 

Comunidade – Conjunto das pessoas que partilham, ger. em determinado contexto geográfico ou num grupo maior, o mesmo habitat, religião, cultura, tradições, interesses etc.: a comunidade judaica: a comunidade da zona oeste.

  4  P.ext.  Lugar em que se situa esse conjunto de pessoas.

Favela – habitações modestas, construídas principalmente nas encostas dos morros das áreas urbanas e ger. desprovida de infraestrtura de urbanização. Qualquer local desagradável, de mau aspecto.

 

Esta forma de tratar favela como comunidade iguala a condição dos marginais traficantes com as pessoas normais. Certamente que ali reside a maioria de pessoas decentes. Mas isso não modifica sua localização e não os desrespeita sob a ótica dos direitos humanos. Quem mora na favela, mora na favela, quem mora em Madureira, mora em Madureira, quem mora em Acari mora em Acari, quem mora na baixada, mora na baixada e não ha demérito nenhum.

 

Abraços

Evandro.