A MINHA PASSAGEM PELA DELEGACIA DE XEREM (61DP)
Posted in Principal on 05/10/2009 12:08 am by Evandro Farias
Certo dia de 1998, encontrei com o Delegado-Pastor Joel Carneiro, o inventor das palestras nas carceragens das Delegacias, ao qual haviam oferecido a 61ª DP de Xerém, que me disse não querer e perguntou se eu gostaria de dirigi-la. Como eu estava sem comando, aceitei. Não conhecia o local. Ao chegar na Unidade, fiquei decepcionado. Como durante tantos anos e tantos Delegados passando por ali, ninguém havia melhorado as condições de trabalho. Estava uma vergonha. Havia um brejo dentro da Delegacia, sem equipamentos para funcionar, sem viatura, funcionários desmotivados, um caos. Na fachada, haviam placas de concreto tapando o interior da Unidade que ficava encostada numa serra onde o sol quase não entrava.

Minha primeira providência foi demolir uma construção medieval que mais parecia um criadouro de ratos e sapos que ficava no interior-meio da Unidade, onde haviam goteiras. Arranjei na localidade, como era de praxe, algumas janelas de ferro e comprei-as com meu salário; consegui um pedreiro nas imediações e mandei que demolisse as placas de concreto da frente da Unidade e coloquei janelas decentes, no interior do prédio, acabei com a imundice e construí no lugar uma nova sala.

Muito antes da Delegacia Legal existir, procurei dar maior conforto para os policiais de plantão e o contribuinte que nos procurasse, instalando ar condicionado no plantão (nenhuma Delegacia tinha este mimo, no plantão)

Adquiri em agencias bancarias e no Inmetro computadores e impressoras usados, ensinei aos policiais usarem esta tecnologia nos depoimentos e flagrantes e logo depois todos já estavam familiarizados

Encontrei agentes completamente desmotivados e demorei em trazê-los ao meu convívio de amizade demorei em conquistar suas confianças. Estavam arredios e desinteressados, não acreditavam no chefe tendo em vista que os meus antecessores, só pensavam em si, desprestigiando completamente os servidores. Eu fiz o caminho inverso. Primeiramente conquistei os servidores pois só tínhamos eles e deveríamos cuidar bem do que tínhamos, pois na verdade, quem elucida tudo são eles, os Delegados apenas legalizam os feitos. E, assim fizemos uma excelente equipe, que até hoje me abraçam quando nos encontramos. Foi a melhor Equipe que um, Delegado pode construir. Morro de Saudades deles!.

O sucesso da minha gestão estava tão bom que até cantor Zeca Pagodinho passou a integrar a nossa Equipe e sempre que nos visitava era festa pura. Grande Zeca nos ajudou muito alem de divulgar para a população que havia um novo Delegado Operacional. Muitas vezes fui beber Brahma na casa do Zeca. Tive a honra de conhecer seus filhos, sua mulher e seus amigos compositores, alem da coisa mais linda de Xerém: a Escolinha de Musica do Zeca. O Máximo em ajuda, sem verba do governo e sem cascata de políticos.

A minha gestão frente àquela Unidade estava tão maravilhosa que fizemos até um Time de Futebol que sempre vencia os adversários da localidade. Era o Flamengo da 61DP. Havia muita confraternização. O Delegado Titular estava sempre lá vibrando e gritando palavrões contra o juiz, alem de tomar cerveja com a rapaziada. Era festa pura.
Foi uma fase tão interessante que até o Poderoso Chefe do Grupo de Extermínio da Baixada era nosso amigo. Zé Guarda de 80 ano era seu nome. Temido pelos bandidos, vivia de seu glorioso passado quado era segurança de Tenório Cavalcante. Seu indefectível chapeu de Cow boy era seu símbolo de austeridade. Um homem de palavra.

Todo Natal reuníamos as famílias da Equipe e Wandiney arranjava um sitio ou um Clube onde pudéssemos trocar presentes e comer o nosso saboroso churrasco natalino. Diabo Louro trazia as bebidas, Chiquinho comprava as carnes, Zé Carlos conseguia o carvão; Fabio procurava o Betão (comerciante/deputado) que cedia algumas prendas para sorteio. Sorriso maroto, ainda não era famoso e seu pai, amigo sempre presente, fazia-os cantar na festa.


Mas nem tudo era festa. O Chefe de Polícia, Dr Rafik, prestigiava a nossa gestão, sempre atento à Segurança Pública, velho policial com muita sabedoria, sempre passava seus conhecimentos para os Titulares e não podia deixar de lado a Delegacia mais linda da Baixada. Sempre que podia chamava o Titular para uma conversa.

Por sua vez, o Delegado Titular, Dr. Evandro Farias, sempre que podia fazia bons relacionamentos com os magistrados. Na foto vê-se a maior Juíza que o Rio de Janeiro já possuiu. A Dra. Olímpia. Sempre que precisávamos de uma medida cautelar, uma busca, uma escuta, um conselho e uma orientação, ela estava sempre bem humorada e nos atendia com presteza. Uma juíza que deixou saudade em Duque de Caxias. Aqui vemos uma das últimas festas do seu aniversário no Clube dos 500 naquele Município. Hoje ela está com Deus. 
Como foi feliz esta gestão! Encontramos um Comandante do 15º Batalhão, que atuava na mesma área desta Delegacia o Eloqüente Tribuno e Coronel PM Mario Paes. Um dos maiores Comandantes daquela Unidade, assim como o Coronel/Secretário Cesar Rubens Monteiro de Carvalho. O Coronel-orador Mario Paes, tinha um diferencial nas relações pessoais com as demais Autoridades que nos deixava muito contentes. Vez por outra proporcionava um encontro nas dependências modernas da caserna que comandava regado a chopp com belíssimo churrasco. Ah que saudade!
Não poderíamos deixar de lembrar, da figura carismática do Comandante Geral da Baixada, Coronel D’Ambrosio. Figura austera com os subordinados, mas de grande coração. Educadíssimo com as Autoridades e seus Comandantes dos Batalhões sob a sua batuta. D’Ambrósio é uma dama. Com o seu sorriso permanente oculta a imensa capacidade de gerenciar qualquer cargo que lhe ponham nas mãos. Todos os Delegados da Baixada Fluminense ( do passado recente) adoram e respeitam D’Ambrosio 
Aqui sentam os três homens mais importantes daquela região, à época. Excelentíssimo Coronel/Secretario da SEAP Cesar R M Carvalho. Um dos maiores comandantes da Policia Rodoviário Federal do Rio de Janeiro (PRF) Inspetor Francisco, conhecido carinhosamente pelos mais chegados como (Chico Preto). Chico sofreu algumas injustiças mas superou todas e hoje conta com uma legião de amigos. E eu, o mais importante Delegado de Polícia de Xerém.

O Dr. Evandro Farias estava tão feliz com a prosperidade de sua gestão que era convidado permanente pelo Prefeito de Duque de Caxias (primeiro mandato) e sua filha-deputada para os eventos do Município. Na foto O Delegado abraça Zito e Andréia, numa reunião festiva na inauguração da maior Casa de Shows da Baixada ( Via Show).
Sempre que ocorria algum fenômeno meteorológico que atingisse o Distrito de Xerém, o Delegado da 61ª DP se socorria dos AMIGOS. Coronel Amilton da Defesa Civil e o Superintendente da Firjam de Duque de Caxias, que imediatamente providenciavam os socorros necessários para as vítimas. A eficiência destes amigos minimizava qualquer sinistro na Região. Muito do sucesso do Delegado depende destas Autoridades, além do Magistral Prefeito Municipal, Juntos melhoramos muito a qualidade de vida da População. Missão cumprida.
Eu, Delegado de Xerem, a Firjam e o Coronel Mario Paes, faziamos as reuniões com os representantes de bairros no magnífico auditório daquela entidade privada, onde o comparecimento era enorme. Ali na Firjan, discutíamos com a comunidade os problemas da região. Isto muito antes do Governo incentivar esta prática. Sempre ouvidos o povo para poder traçar métodos de policiamento .
As Autoridades se reuniam, também, no Batalhão do Coronel Mario Paes. Eu, o Dr. Wilson Raimundo, que foi o maior Diretor de Departamento que a Polícia já teve na Baixada Fluminense. Todos os Delegados adoraram trabalhar sob a orientação dele naquela época. O que mais gostávamos das reuniões era que o Mario (Coronel) habilidosamente, fazia as reuniões na hora do almoço convidando-nos para a farta refeição. O grande problema era aturar a sabedoria do orador Mario (Coronel) que não parava de falar. E todos ouvíamos atentamente admirados de sua cultura transcendental.


Naquela época, eu lutava para manter os Delegados da Baixada Unidos. Marcava uma data e convocava todos os titlares para almoçar na melhor churracaria de Nova Iguaçú. No final, dava muito trabalho recolher a quantia para fazer frente às despesas. Fazíamos visitas à Nova Dutra, concecionária que administra a Rodovia Presidente Dutra para conhecer seus equipamentos e tiramos fotgrafia no páteo da Empresa e em seguida fomos p[ara a churrascaria fazer a nossa confratrnização. La estavam os melhores Del;egados da Baixada como podemos ver:
